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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ética no mundo digital

Falar do ar, por analogia, é falar da ética.

O ar é um alimento à vida, condição sine qua non à sobrevivência humana.

Sobreviver é seguir o ciclo da vida que se inicia com o sopro primeiro do pulmão e se encerra com a impossibilidade de se continuar a respirar.

A vida tem qualidade e plenitude quando se inspira o ar que se respira com amor, com ritmo e consciência, quando se dá assim valor ao viver e ao processo de evolução de cada ser humano.

A arte de respirar é fundamental na transformação qualitativa do corpo físico, a arte de viver com ética é fundamental na essência da transformação do nosso lado anímico.

Viver em comunidade e com solidariedade e compreensão ao outro é o respirar anímico que alimenta nossa essência de viver em sociedade e de nossa individualidade.

A ética é uma relação de respeito, de consciência e de plenitude primeiro a si mesmo, a ética é o ar que respiramos para se conseguir ter uma boa qualidade de vida.

Este estado expansivo de consciência nos dá base para nossa relação com o outro em um ambiente de harmonia, justiça e equilíbrio.

A ética é a expansão da consciência, quando falamos algo nos manifestamos, nos expomos pelo conteúdo e forma individual que cada um temos.

O modo de ser, o caráter das atividades é o significado da palavra grega “ethos”.

Os nossos hábitos, atitudes, comportamentos revelam nossa ética.

A ética é, portanto, pessoal e individual, mas baliza as relações entre as pessoas, e cria as bases ou regras de relacionamento de uma sociedade. A ética é, portanto, social e coletiva.

A ética é mutável e evolutiva e recebe uma forte influencia dos cenários locais e circunstanciais, dos valores vivenciados, da índole, da tolerância e influencias culturais, religiosas, familiares e etc.

A ética no mundo globalizado e digital será transformada pela expansão da consciência das pessoas, das comunidades, dos paises.

Há uma tendência em se vir a ter regras claras para a convivência e compreensão mundial e paz entre os povos.

Como ética é vida em transformação e há uma nova geração que nasce com a internet em um mundo digital, com certeza teremos uma revolução de comportamentos.

A geração “paz e amor” contribuiu para o fim de guerras, de intolerâncias e mais aceitação.

Criou base para o direito de minorias e quebra do racismo e apartheid.

Para onde levará a humanidade esta geração “Y” que elegeu Obama e quer respeito ao meio ambiente, responsabilidade social, fim do autoritarismo e consolidação das liberdades de expressão, manifestação e escolha de vida?

Fica aqui uma questão para que nós possamos refletir.

As regras políticas que atuam no mundo e no Brasil atendem esta demanda?

Este cenário atual atrai os jovens para estas ações de mudanças que estão ocorrendo?

Estamos nós profissionais em nossas atividades, atitudes, comportamentos e ações vivendo com coerência, harmonia e justiça dentro de uma nova e jovem interpretação da arte de viver?

Nós profissionais, empresários, trabalhadores sobreviveremos ao novo mundo que se inicia nesta nova era digital e de expansão da consciência?

O que acontecerá com a poluição, a corrupção, a fome, a miséria, a censura e as injustiças ainda neste século?



segunda-feira, 20 de abril de 2009

A Utopia e a Nova Zelândia

Auckland, 14 de abril de 2009

A chegada à Nova Zelândia é fantástica. Uma paisagem linda já se vê a bordo do avião. Um aeroporto moderno, funcional, com atendimento simpático, rápido e respeitoso das autoridades locais.

Meu filho Thiago, de 31 anos, me aguardava no aeroporto. Eram 7h30 da manhã, com um céu azul avermelhado em um outono agradável.

Assustado ainda com a mão inglesa porquanto íamos para Auckland, senti na conversa com Thiago o clima de harmonia e respeito daquele país, enquanto avistava parques lindos, residências abertas e seus jardins, uma cidade moderna e bem cuidada.

Foram 18 dias em que, viajando mais de 2400 quilômetros, conhecemos do Mar da Tasmânia ao Oceano Pacífico quase toda a ilha norte. Cada cidade surpreendia pela sua organização, beleza e característica próprias. Um país sem contrastes de qualidade de vida e ambiente. Vales, montanhas, cânions, florestas, pastagens e praias, sempre verdadeiros cartões postais.

Em Rotorua assistimos a um show Maori, em que participavam viajantes de 22 países diferentes, inicialmente todos juntos para uma confraternização, depois aprendemos a forma de preparar em um buraco no chão o jantar que teríamos. Vimos a seguir, na escuridão da noite, a chegada de guerreiros Maoris em canoas por um riacho, e finalmente veio o show, com as músicas, tradições, que nos mostrou toda a história, integração e a importância Maori na Nova Zelândia. Aqui colonos europeus e maoris juntos construíram uma nação.


Essa foi uma viagem em que não me preparei antes, pois seriam 18 dias com meu filho que está aqui há oito meses e pretende ficar definitivamente.

Vim sem prevenções, preconceitos, estruturas e objetivos.
Vim para realmente me desligar, sair da rotina e deixar pra lá o estresse.

Os planos iam mudando com o passar dos dias. Deixamos para lá seis dias de viagem pela Austrália, e depois a ida à Ilha Sul, caracterizada pela sua esplendorosa natureza e conhecida pelos esportes radicais. Nelson, Christchurch e Queenstown ficariam para a próxima viagem.

O roteiro final acabaria sendo Auckland, Hamilton, Cambridge, Rotorua, Taupo, Turangi, Wellington, Palmerston North, Napier, Gisborne e Tauranga.


Como na segunda cidade onde nos hospedamos, Rotorua, ficamos no YHA Hostel International, uma hospedagem de jovens estudantes com cozinha comunitária, ambiente de lazer bem internacional e muito bem instalados com internet e atividades comunitárias, meu filho Thiago gostou e foi se enturmando a cada Hostel que passamos a ficar, em Hamilton, Wellington, Napier, Gisborne e Tauranga.

Encontramos jovens do mundo todo, vindo de países como a Itália, França, Alemanha, República Checa, Israel, Japão, Coréia do Sul, China, Argentina, Chile, Inglaterra, Austrália, Dinamarca, Noruega e outros.

Além dos jovens, alguns “tiozinhos” sarados e irados fazem parte do ambiente, que é um retrato de um mundo sem preconceitos de raças, nações, línguas, costumes, que se entendem e descobrem a mesma essência de serem felizes com alegria e dignidade.

Fiquei feliz em ser um “tiozinho” desses, pelo menos não perdi meu prazer de conviver e curtir com essa juventude de excelente qualidade.
A Nova Zelândia se caracteriza pela simplicidade em tudo, pela ordem e progresso vivenciados a cada segundo, pela distribuição de renda eqüitativa e justa, pelas oportunidades a jovens de todo o mundo, pelo respeito, pelas regras poucas e duras, pela justiça. A Nova Zelândia existe e não é utopia.

Senti o choque cultural e de costumes, fiquei feliz em recuperar a esperança de quem sabe um dia poderemos ter em nosso dia a dia brasileiro uma utopia vivenciada.