sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Acabou a "exuberância irracional"

“O sistema financeiro do mundo implodiu”

O mundo próspero, de crescimento sem fim, de riqueza fácil, com crédito abundante e sem perspectivas de riscos, onde se ganhava sem se produzir acabou.
Este equilíbrio dinâmico, construído pela fantasia e má fé das cabeças financeiras que criaram lastros fictícios e ludibriava a sustentação do equilíbrio da economia real, não existe mais.
Quando um sistema implode, ele se acaba, ele é como uma bolha, seu equilíbrio de sustentabilidade dinâmica desaparece e como um efeito dominó derruba todas as outras peças da Economia.
É possível corrigir ou recuperar este sistema?
A resposta é não, no meu ponto de vista.

“Sucesso tem fim”

O sucesso como a palavra diz é aquilo que se sucede. Ele é dinâmico e passageiro.
O sucesso pessoal, empresarial, de uma nação ou da economia mundial gera uma zona de conforto, uma zona de relaxamento e abusos por excesso de segurança e confiança e dá a sensação de que é permanente, estático e sem riscos.
Isto geralmente leva a grandes desastres.
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A “exuberância irracional” que o mundo experimentou de acordo com o ex-presidente do Fed, Alan Greenspan, já era o indicador do fim de um ciclo.
Hoje não há crédito e o pior não há confiança, que é a base de tudo.

“A realidade acaba com a fantasia. Viva a realidade”.

Colocar dinheiro bom em cima de dinheiro ruim não é uma coisa racional.
Sempre que alguém não realiza o prejuízo, tenta sustentar os erros de algo que já não existe. É suicida a filosofia do apostador, "vou apostar o que resta para recuperar o perdido".
A gravidade do momento e da nova situação da economia real não aceitará mais discursos ufanistas, pirotecnias ou jogadas políticas.
Ficou claro que o sistema financeiro é hoje globalizado e não gira mais em torno de Wall Street.
A Economia Global está multi polarizada e todos os parceiros e países precisam sentar-se a mesa para estabelecer as novas regras do crédito e da confiança.
Enquanto isto o crédito estará congelado e a economia real entrará em compasso de espera ou marcha lenta.
Fica aqui a esperança para que logo se estabeleça por parte dos bancos centrais de todo o mundo as novas regras financeiras e se estabeleça a confiança no processo ao se criar as regras de um crédito sustentado. Surgirá um novo sistema financeiro.
Quanto mais cedo isto ocorrer, mais cedo criaremos as bases de um novo ciclo de prosperidade.
O mundo real quer crescer, quer ficar melhor, mais transparente e mais ético.
Tenhamos neste momento muita calma e atuemos com confiança e da melhor maneira possível nas nossas atividades fins do mundo real.
Chutar o pau da barraca ou procurar bodes expiatórios não será solução.

3 comentários:

Tchênet disse...

Grande Geraldo, sempre com grande comentário, atual e sensato, acredito que agora, o mundo irá repensar sobre o seu modo financeiro, e governamental, o que está acontecendo com a economia dos Estados Unidos não serve de exemplo, para os demais países, que todos repensem as suas maneiras de agirem. grande abraço Geraldo, mas sem chutar o pau da barraca...

Sérgio Pires Ferreira disse...

Caro Geraldo,

Como sempre acontece, recebo com muita satisfação tudo o que você escreve. São verdadeiras aulas da parte de quem escreve sobre o que entende. É muito prazeiroso receber e debater (por vezes) assuntos importantes com você.

Sobre a "exuberância" devo dizer que gostei muito da análise feita sobre a crise financeira americana. Nada a acrescentar. Está tudo dito e com muita clareza e propriedade.Parabéns.

Quanto ao outro texto, que li com muito interesse também, gostaria primeiramente de dizer que concordo inteiramente com a opinião do Presidente do Senado sobre a crise de poder. Permito-me, entretanto, discordar de você quando responsabiliza o Lula por tudo de errado que vem ocorrendo na política brasileira. Da minha parte acho que o presidente vem ocupando espaços deixados pelo Legislativo e principalmente pela Oposição. Acredito que se não tivessem sido emitidas tantas Medidas Provisórias pouco teria acontecido de fato neste país. Basta ver o número de leis aprovadas que tiveram iniciativa no Legislativo. Este foi pródigo em CPI´s amplamente criadas e utilizadas pela oposição sem que houvesse até hoje qualquer resultado prático. Isto porque os diversos processos dos indiciados não foram até agora julgados pelos tribunais e alguns já inocentados.
A luta política impede que projetos importantes tenham andamento no Congresso. Parece que a oposição quer parar o país. Por que o Legislativo (todos os partidos são responsáveis) até hoje não fez a Reforma Política? Por que não faz a Reforma Eleitoral? Por que não aprova o Financiamento Público das Campanhas eleitorais, dando igual oportunidade a todos os candidatos, sem uso do poder econômico ao qual só alguns têm acesso? Veja que a maior parte dos ataques são feitos por interesse político-partidário. O Bolsa Família não é atacado porque não é bom para grande parcela marginalizada do nosso povo, mas porque beneficia eleitoralmente o governo. Por acaso não beneficiou o antecessor? E opor aí vai. Gostaria que houvesse um governo melhor e uma oposição melhor ainda, mas esta perde autoridade quando deixa de lado questões relevantes, tentando comer o governo pelas bordas, sem ir ao âmago das questões, sem apresentar um projeto alternativo, que só ela e seus partidos conhecem. Lula não é um ditador, aparece porque a oposição está perdida, muito pouco consegue em com seus discursos moralistas, mas pobres em mensagens construtivas que possam empolgar o eleitorado. Ai estão o declínio político do DEM, as discórdias entre PSDB e DEM em São Paulo, tudo evidenciando o interesse de pessoas por postos de comando e não para mostrar ao povo o que poderiam realizar dentro dos princípios de seus partidos. Até parece que os partidos são apenas os seus caciques. Serra versus Aécio para 2010. Li agora que já há uma facção dentro do PSDB pró Marta, desencantados pela disputa Serra versus Alkimim. Podemos ter confiança de que há chance de mudar para melhor? Confesso que não acredito, mas mantenho uma leve esperança. Abraços Sergio, seu companheiro e fiel admirador.

Álvaro Stefani disse...

Caro Geraldo,

Concordo mil por cento com o seu artigo. A vida, na sociedade humana, está alicerçada no dia a dia do trabalho, onde cada um contribui com a sua parcela de dedicação para o bem comum. Cada um na forma livremente escolhida. Uns em atividade intelectual, outros em atividade braçal. Todos, porém, trabalhando concretamente. Jogando ou especulando alguém pode até ganhar, momentaneamente. Ganhando com a perda de quem trabalha. Tudo se constrói, entretanto, com trabalho concreto.

Parabéns pela lucidez do seu artigo.

Fraternal abraço.

Álvaro Stefani.